Reflexão sobre a greve dos caminhoneiros

O SIPESP é a favor de toda e qualquer demanda justa, que vise a melhoria das condições do trabalhador. 

Pelo noticiário é possível deduzir que a greve foi a alternativa encontrada para que as reivindicações fossem ouvidas e atendidas, considerando que tentavam o diálogo com o Governo Federal desde o ano passado, sem sucesso algum. 

A adesão foi maciça, pois apesar de terem várias entidades de classe que os representem, se associam a alguma delas, dando condições para que os movimentos tenham força. 

A sociedade por sua vez, mesmo com as dificuldades impostas pelo movimento, buscam alternativas para conviver com a situação e apoiam consideravelmente os caminhoneiros, dando a sustentação necessária para que as reivindicações sejam atendidas. 

Outros por sua vez, se mantém alheios à situação, aproveitando a oportunidade para lucrar, aplicandoaumento abusivo dos preços, inclusive do próprio combustível, mas que passa desapercebida por pequena parcela da sociedade, sempre disposta a pagar qualquer valor por qualquer coisa, fomentando este tipo de conduta e atrapalhando o justo movimento. 

Assim como os caminhoneiros, nós policiais civis também não temos os nossos pleitos atendidos pelo Governo, sofremos com a falta de pessoal, com condições indignas de trabalho, além de todas as mazelas que conhecemos no desempenho da nossa função. 

Porém, ao contrário dos caminhoneiros, parece quenos acomodamos com a atual situação, como se nada estivesse ocorrendo, cobrando mudançasapenas das entidades de classe, como se tivessemalguma fórmula mágica capaz de resolver os nossos problemas. 

A comodidade leva ao descaso governamental e por consequência, à indiferença da sociedade com os nossos problemas, como se fosse irrelevante a questão da valorização do policial, que reconhecidamente é um dos pilares para resolver os problemas da segurança pública. 

Para mudar este cenário, se conscientizem que não conseguirão melhorias se lutarem sozinhos e por isso, devem fortalecer as entidades representativas da classe operacional, com a sindicalização voluntária, para que fortalecidas, tenham voz junto ao Governo e possam inclusive, ganhar a opinião pública de que a nossa luta por melhorias é justa. 

Atualmente, temos questões importantes para acompanharmos, como a possível mudança da Polícia Civil para a Secretaria da Justiça e até mesmo o projeto da reestruturação da Polícia Civil, que tramita perante a ALESP, sendo certo que a participação de todos é de suma importância para que estas mudanças sejam realmente positivas para todos os policiais civis. 

Por enquanto, devido a ausência de diálogo com a classe operacional, entendemos que as mudança não serão benéficas. 

Como acreditar que a mudança de Secretaria pode ser benéfica para a Polícia Civil, se haverá aumento significativo dos poderes do Conselho da Polícia Civil, que por sua vez não possui nenhum representante da classe operacional? 

Como acreditar na reestruturação da Polícia Civil, se não houver o reconhecimento pleno do nível superior aos Investigadores e Escrivães, com salário compatível ao nível superior exigido, além da valorização salarial de todos os policiais civis? 

Se não houver a participação de todos os policiais civis nas mudanças que se anunciam, perderemos mais uma oportunidade de sermos efetivamente valorizados. 

Não conseguiremos mudar a nossa realidade atrás dos teclados, temos que participar de forma efetiva, nos mobilizando em prol de um futuro melhor. 

O seu futuro depende de você mesmo, basta participar! 

Juntos somos mais fortes!

A Diretoria